5 Sentidos e algo mais

Falar sobre os 5 sentidos não é fácil... existe tanta coisa relacionada com eles... mas todos estão ligados por um pouco em comum: o cérebro. Este blog tenta abordar temas relacionados com os 5 sentidos e tentará colocar a "funcionar" o cérebro de toda a gente.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Continuando em matéria de olfacto...

Olá a todos. Estou de volta ao tema "Olfacto". Queria terminar com a temática, deixando, tanto quanto o possível, esclarecidos os pontos que eu queria referir. Voltando ao post anterior, imaginem que querem produzir um iogurte de morango. E que querem melhorar constantemente o produto que produzem, tentando reproduzir o mais fielmente possível o aroma a morangos. A forma mais directa e óbvia que podem sugerir é "usem morangos!". O problema é que, para produzir o dito alimento é necessário realizar uma série de tarefas que vão alterar as qualidades organolépticas dos morangos que querem usar. Resultado: o iogurte não vai ser uma reprodução fiel de morangos (aroma e paladar). Então, o que é que podem fazer? Usar essências naturais, disponíveis no mercado, com aroma a morango. (Vou escrever sempre sobre aromas e deixar o paladar de lado... afinal de contas, escrevo sobre o olfacto!). Muito bem, obtemos um produto com aroma razoavelmente semelhante a morango. Se bem que não é morango mesmo... é parecido. Mas o produto não nos satisfaz. Não é suficientemente bom para se impor no mercado, perante a concorrência que já tem a sua clientela bem definida. Então temos de produzir algo com uma característica especial, com uma qualidade que permita ter uma mais-valia sobre a concorrência. De todas as características que foram pensadas, uma ainda não se encontra satisfeita por ninguém da concorrência e pode ser então a mais-valia: aroma verdadeiro a morangos. Como chegar lá? Encontrar as substâncias químicas responsáveis pela globalidade do aroma do morango e adicionar ao nosso iogurte... Mas isto não é simples. Se fosse simples, já tinha sido concretizado. Os aromas de um objecto, seja qual for a sua utilidade, podem ser descritos de 2 formas: pela descrição global, feita por um painel de provadores, se assim se pode dizer, ou pela descrição sequencial, feita com ajuda de instrumentação analítica. Um painel de provadores não ajudará muito neste caso. Não é possível eles descobrirem as substâncias químicas responsáveis pelo aroma global do morango. Nem eles conseguem determinar todos os aromas do fruto. Então temos de nos virar para a instrumentação. Existem aparelhos que servem para separar, denominados cromatógrafos. Eles separam todos os compostos que são introduzidos nele. Se colocarmos algo que detecte os compostos à saída do cromatógrafo, podemos encontrar quantos compostos existiam na amostra analisada e talvez até consigamos determinar a sua concentração. Alguns desses detectores podem ajudar imenso na descoberta de quais os compostos presentes. Se utilizarmos um nariz como detector, então podemos associar os compostos a aromas. Cruzando toda essa informação, podemos encontrar os compostos responsáveis pelos aromas que desejamos. Tudo isto envolve muito tempo, muito treino e é um pouco complicado de se fazer... mas não é esse o maior problema. O problema até agora não resolvido é que o dito aparelho, o cromatógrafo, não pode receber todo o tipo de amostras. Elas têm de ser "tratadas", modificadas para serem introduzidas nele. Ora, essa manipulação torna o aroma ligeiramente diferente e por isso já estamos limitados à partida. Por isso podemos nunca reproduzir o aroma de um morango porque nunca saberemos a totalidade dos compostos químicos que ele contém. É a vida! "Every fool knows you can't touch the stars, but it doesn't stop a wise man from trying" - Harry Anderson