Mudando de assunto... A VISÃO!
Bom dia!
Acho que já escrevi demasiado sobre o olfacto. Vou mudar de "sentido"... ontem lembrei-me de duas histórias relacionadas com a visão. Vou contá-las...
A primeira história é pessoal. Quando era miúdo imaginava o que seria ir a outros planetas. Sim, é verdade, fui daquelas crianças que sonhou ser astronauta, em visitar outros planetas, ver mundos completamente diferentes. Estranhamente nunca sonhei em conhecer extra-terrestres... Bem, de tudo quanto pensei e sonhei descobrir em mundos novos, uma das coisas que mais me fascinava era descobrir novas cores. Pois, criancices... Ficava a imaginar que cores poderiam existir... Não sabia eu que as cores que vemos não são mais do que resultantes dos nossos olhos e não do mundo exterior ao nosso corpo. Explicando melhor, vemos aquilo que os nossos olhos nos deixam ver. Todo o espectro de cores tem o nome de "espectro vísivel". Por isso mesmo, porque as vemos. O que os nossos olhos captam são radiações electromagnéticas, e captamos apenas uma pequena fracção de imensas radiações que existem em nosso redor. Tivessem os nossos olhos capacidade para captar, receber, detectar radiações electromagnéticas de outro tipo, veríamos muito mais coisas do que vemos. Por exemplo, o calor que sentimos ao Sol é resultante da acção da radiação infravermelha que o Sol irradia na nossa pele. Aqui o sentido em questão será outro: o tacto!
Enfim, sonhos de criança.
A segunda história é sobre a visão: a visão dos nossos olhos e a "visão" do cérebro, do raciocínio. Passo então a explicar.
Faz pouco mais de um ano que uma marca de vinho verde branco, muito conhecida e muito vendida por todo o mundo, mudou de garrafa. A garrafa anterior era daquelas compridas, que parecia ter sido esticada, de cor verde escura e um rótulo quem sabe um pouco antiquado. A garrafa actual é mais pequena, com vidro de cor azul bem claro, como as águas dos mares tropicais, e com um rótulo semi transparente, com imagens bem apelativas e frescas.
Como devem saber, o vinho verde branco deve ser bebido bem fresco, para que se aproveite todas as suas propriedades: frescura, leveza, acidez. O tipo de garrafa antiga tinha muito pouco a ver com o produto que continha: era apagada, retrógrada, quiçá até feia, muito pouco chamativa ao consumidor. Quem conhecia o vinho, comprava-o, mas não atraía um novo comprador. A mudança visual alterou completamente a imagem do vinho. Dá uma ideia mais jovem, leve, como é o vinho verde branco. O produto passou a ser atraente ao consumidor, não alterando em nada o vinho. Por esse mundo fora, os consumidores habituais daquele vinho aplaudiram a mudança. Os agentes comerciais ficaram bastante felizes porque a nova imagem do produto ajuda bastante à comercialização e é chamativo a novos consumidores. A satisfação foi quase geral... só mesmo no nosso país é que não se aplaudiu a mudança.
O visual do produto é marcante para que ele tenha sucesso e este é um caso bem demonstrativo disso.
Contudo, esta não foi a única mudança em termos de "visão". Se visualmente, aos nossos olhos, a alteração é radical, há outra alteração muito mais significativa no produto. E para concretizar essa alteração, foi preciso ter visão!
Falei que a garrafa mudou também de forma: passou a ser mais baixa. Aqui reside talvez a maior mudança e aquela que produzirá mais efeitos! Estranho não? Pois, mas pensem bem... Uma garrafa daquele tamanho, muito alta, não cabe nas estantes dos hipermercados ou das superfícies comerciais em que o produto se vende. Para a garrafa ser exposta nas estantes, ou a garrafa fica deitada (perdendo visibilidade!), ou então fica na estante mais baixa ou na mais elevada (onde além da perda de visibilidade ainda temos a dificuldade de acesso para o cliente!). A alteração do tamanho da garrafa provocou uma alteração marcante no comércio de loja do produto.
Bem haja quem se lembrou de tal coisa. Foi preciso ter visão.

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