5 Sentidos e algo mais

Falar sobre os 5 sentidos não é fácil... existe tanta coisa relacionada com eles... mas todos estão ligados por um pouco em comum: o cérebro. Este blog tenta abordar temas relacionados com os 5 sentidos e tentará colocar a "funcionar" o cérebro de toda a gente.

sexta-feira, novembro 25, 2005

E quando chega a hora da partida...

Olá a todos!
A vida é feita de ciclos, de momentos, de instantes. Se bem que todos sejam deliciosos, os ciclos criam um hábito, do qual pode ser difícil libertarmo-nos.
Agora surge um novo ciclo na minha vida, em que deixarei os meus "professores" dos últimos meses, aqueles que me ensinaram a "brincar" com os sentidos e a dar mais valor aos sentimentos. Por isso mesmo, este tópico é dedicado a eles (mais elas!)...
Por todas as maluquices que fizemos, por todos os disparates que foram ditos, por todas as provas de vinhos ad-hoc que pudemos fazer, por todas as discussões saudáveis que tivemos, por todas as trocas de ideias que deram imensos frutos doces mal apreciados por quem nos rodeia, por todos os dias fustigantes, compridos mas saborosos, pelas apresentações científicas mais ciganas que alguma vez presenciei, por todos os momentos em que inalei o maldito fumo a cigarro que vocês não param de acender mas que foram únicos, por todas as músicas que cantamos, por todos os mails idiotas que trocamos, por todas as escadas que subimos e descemos a correr, por todas as vezes que olhamos a ver se havia luz no escritório, por todas as vezes que tivemos de disfarçar o que estavamos a falar ou a fazer quando fomos interpelados por alguém que entrou no laboratório, por todos os sorrisos de cumplicidade, criancice, por tudo o que me ensinaram...
deixo-vos o mais profundo "Obrigado", sublinhado por um "Até breve", que espero concretizar muitas vezes...
Aroma - Sotolon
Som - Vortex
Sensação - Abraço
Paladar - Vinho do Porto Vintage 1900
Visão - Anoitecer na casa da barbie

quarta-feira, novembro 16, 2005

Pequenos sorrisos...

Olá a todos!
Hoje vou escrever apenas um pequeno texto, para dizer duas coisas.
Ainda em relação ao tópico anterior, sobre olfacto, paladar e sabor, um aspecto que realça a importância do olfacto retro-nasal é a existência do "after-taste", tão conhecido e referido, quem sabe erradamente tantas vezes, na degustação dos vinhos. O "after-taste" (não encontro melhor palavra em português e só por isso continuo a usar o estrangeirismo) não é mais do que o sabor que existe na boca minutos após a ingestão do alimento. Claro que o sabor é completamente diferente do do alimento, mas ainda assim pode ser um sabor agradável e intenso. Veja-se por exemplo o caso dos vinhos do Porto Vintage, que possuem um "after-taste" prolongado e muito agradável. Não o sentimos como paladar pois não o sentimos na língua. O "after-taste" é percepcionado no nariz, através do olfacto retro-nasal.
Mudando de assunto, dos momentos mais felizes que podemos viver é provocar um sorriso noutra pessoa. Toda a gente tem vontade de fazer os outros rir, nem que tenha de recorrer às maiores e mais exageradas palhaçadas. Sentir que quem nos vê e ouve se está a rir por nossa causa é enriquecedor. Quando fazemos rir quem amamos, quando provocamos a felicidade nos que são mais próximos, aqueles sem os quais seria difícil viver, então "enriquecedor" é um adjectivo muito limitado para definir o que sentimos. Aqueles pequenos sorrisos, que até aparentam fragilidade e uma curta duração, são tão quentes como os raios do Sol. A alegria que vemos, que causamos, é-nos devolvida a dobrar... E é uma sensação com um "after-taste" muito muito bom e muitíssimo prolongado.
Sabor, Aroma, Cor, Sensação - Vinho do Porto Vintage
Melodia - Chilrear dos pássaros na manhã de Primavera

quinta-feira, novembro 10, 2005

Tapem os narizes....

Olá a todos!
Nunca sentiram que, só pelo aroma de um alimento, de um prato de comida, que iriam adorar ou detestar o que iriam comer? Nunca se perguntaram isso? Tem uma razão de ser...
Lembram-se daqueles xaropes de sabor horrível que tínhamos de tomar quando éramos crianças? O que é que normalmente fazíamos? Tapávamos o nariz... Nunca se perguntaram porque é que tapamos o nariz para não sentirmos tanto o mau sabor do xarope? Mais, nunca se perguntaram porque é que isso resultava? Pois, também tem uma razão... e é a mesma.
Sabor e paladar não são a mesma coisa. Ou melhor, o sabor inclui o paladar e algo mais. O olfacto! Passo a explicar.
O olfacto directo, aquele que usamos em todas as situações chama-se orto-nasal. Não é mais que a percepção do bolbo olfactivo sobre o ar que inspiramos. Mas também temos outro olfacto, mais complexo e, por isso mesmo, mais interessante: o retro-nasal.
As vias respiratórias que partem do nariz ligam-se à boca no pescoço... aí o "tubo" passa a ser único. Ora, é o ponto de ligação entre o paladar e o olfacto.
Se bem se lembram, aprendemos que o paladar distingue 4 sensações diferentes: amargo, doce, ácido e salgado. E de facto, são as 4 sensações que distinguimos na boca. No entanto, o sabor dos alimentos é mais do que isso. Um amendoím salgado não é igual a um tremoço salgado...
O Sabor dos alimentos é a soma do paladar com o olfacto retro-nasal. Ao engolirmos os alimentos, expiramos depois ar que foi para os pulmões com eles. Esse ar possuí imensas moléculas dos alimentos, dando uma sensação olfactiva do alimento no nariz, que se conjuga com a percepção do paladar. No entanto, essa sensação olfactiva não é igual à sensação que temos quando cheiramos o alimento directamente e isso faz toda a diferença.
O aroma retro-nasal não é igual ao orto-nasal por duas razões principais: porque os alimentos estão a 37º C dentro do corpo humano e porque os alimentos sofrem alterações químicas, produzidas pela acção da saliva e de enzimas. A temperatura de um alimento, de todo o objecto com cheiro, é um factor crucial para o aroma do mesmo. Diferentes temperaturas, diferentes aromas. Como os alimentos antes de serem ingeridos não estão a 37º C, o seu aroma é diferente. Já para não falar que eles foram modificados pela saliva e pelas enzimas... o aroma é deveras diferente.
Concluindo, tapem os narizes se não querem sentir o mau sabor do alimento... faz todo o sentido!
Aroma - Baunilha
Sensação - Orvalhar
Música - Una furtiva lagrima (Donizetti)

quarta-feira, novembro 09, 2005

Desabafo...

Olá a todos!
Como já devem ter reparado por diversas vezes, na vida encontramos momentos, pessoas, sorrisos, abraços, murmúrios, corações ou simples almas que são de uma importância enorme: marcam-nos de uma forma tal que deixamos de ver tudo da mesma maneira, os sons mudam de frequência, as cores parecem lavadas com estes detergentes fantásticos que até lhes dão vida, os paladares tornam-se complexos, cheios de pequenos "toques" e os sentimentos... os sentimentos ficam simplesmente "à flor da pele". São como que âncoras, suportes, pontos de referência, faróis que nos ajudam a trilhar o quotidiano olhando o futuro.
Muitas dessas pessoas, desses momentos, duram pouco: uma folha de calendário, cuja data até se perde no tempo. Ainda assim, não perdem o seu fulgor com o passar do tempo. Antes pelo contrário. Ganham cada vez mais importância, por serem recordações da juventude perdida, da juventude que é cada vez mais saborosa porque o presente é cada vez mais amargo. Temos tendência em pensar, em sentir, que o ontem foi melhor que o hoje, só por saber que lhe sobrevivemos. Mesmo assim, a sensação que aqueles momentos foram verdadeiramente marcantes aumenta a cada dia que passa, a cada lembrança, e isso causa-nos alguma dor.
As âncoras da nossa vida são muitas vezes o suporte para enfrentarmos o futuro de sorriso largo, peito feito, punho fechado. São, também e muitas vezes, um lastro enorme, que nos abranda, que nos faz parar, que nos faz dolorosamente retroceder, reviver os momentos que não queremos recordar, a angústia que preferimos esquecer, a dor da ferida que nunca chegamos a cicatrizar. Essas âncoras não nos fazer avançar. Causam-nos medo, causa-nos um cruzar de braços para fechar o coração, um esconder da face para fingir um sorriso, um fechar de olhos, lento, como que a varrer da retina a lembrança de tudo quanto passamos.
Como gostava de me libertar das minhas...
Música - Adagio for Strings (Barber)
Aroma - Alfazema
Sensação - Algodão

domingo, novembro 06, 2005

Aproxima-se a chuva...

Olá! Estes dias têm sido tristes. A luz desapareceu, as cores perderam-se, os sons do trabalho, do trânsito, da chuva e do vento ecoam por onde passamos, o frio regressa e até os aromas desaparecem... A vontade de escrever não tem sido muita, a nostalgia apoderou-se das minhas mãos e escondeu o deleite de desenhar caracteres em papel. A lembrança dos dias de calor, do Sol ainda está muito viva e não ajudam ao desafio que é enfrentar uma folha em branco, tentando abrir o coração, escorrendo todo o sentimento, lutando para que as palavras consigam descrever o indescritível, expandindo a alma até ao infinito e tornar aquele pedaço de papel um quadro da imensidão que existe dentro de nós. Hoje é Domingo e não será o melhor dia para me dedicar à magia da escrita, mas tinha mesmo de ser... se não luto contra este marasmo não escreverei nunca... Hoje é Domingo e sinto o aperto gutural da angústia, da ansiedade que é saber que amanhã é dia de trabalho. O trabalho não me assusta, não me perturba em nada mas desde pequeno que sinto esta angústia dominical... O que queria escrever hoje não era mais do que noticiar que todos os textos que escreva a partir de hoje vão passar a ter sugestões de sons, aromas, músicas, cores, paladares, sensações tácteis... para experimentarem. Cá vão as de hoje... Aroma - Violetas Música - Claire de Lune (Debussy) Paladar - Maçã cozida com canela Visão - Uma rosa seca Sensação - Segurar um ouriço nas mãos...