5 Sentidos e algo mais

Falar sobre os 5 sentidos não é fácil... existe tanta coisa relacionada com eles... mas todos estão ligados por um pouco em comum: o cérebro. Este blog tenta abordar temas relacionados com os 5 sentidos e tentará colocar a "funcionar" o cérebro de toda a gente.

terça-feira, agosto 16, 2005

Preciso dos ovos!... {divergindo}

Olá a todos. Hoje vou divergir um pouco do tema principal deste blog. Vai ser a primeira vez, e garanto-vos que não vai ser a última. Não é possível, pelo menos para mim, estar sempre a abordar as mesmas temáticas. Mudar de tema é animar a vida, torná-la não-monótona. Bem, ontem vi um filme do Woody Allen, de nome "Annie Hall". Bastante interessante. Ficou-me na mente a última história do filme, que a conto agora... Um homem foi falar com um psiquiatra, por causa do irmão: "- O meu irmão não está bem... Tem a mania que é uma galinha - Hum, e então porque é que você não o interna? - Pois, até o internava mas preciso dos ovos!" Esta pequena história fez-me pensar nas relações entre as pessoas. Existe sempre uma necessidade, por mais absurda que a relação seja. As pessoas devem amar umas às outras, sem pedir algo em troca, sem terem expectativa de receber algo. A expectativa cria uma necessidade, a necessidade cria um "vício", e se o "vício" não for satisfeito, cria-se um desgosto. O sofrimento, a dor porque passamos durante toda a vida é sempre porque "precisamos" dos outros. Tudo seria diferente se não existisse essa necessidade, essa expectativa. Amaríamos todos como se fosse o primeiro dia que os conhecessemos, amaríamos como se fosse o último dia em que os veríamos, amaríamos como se fosse a nossa alma gémea, amaríamos porque amar é o que melhor temos no mundo e é esse o nosso papel no universo. Nenhum de nós tem um destino a cumprir, nenhum de nós tem uma obrigatoriedade em ser esta pessoa ou ser aquela. Temos obrigatoriedade para connosco, unicamente. Obrigatoriedade em sermos felizes, em fazermos tudo o que desejamos porque somos felizes, e o resultado será o aumento incessante da nossa felicidade. Contudo, não é vantajoso inverter este procedimento. Se temos algo, dinheiro por exemplo, e fizermos algo para sermos felizes e não por SOMOS felizes, estamos a fazer isso porque temos a NECESSIDADE de SERMOS felizes. Ora, a existência dessa necessidade vai criar novamente expectativas e vai, invariavelmente, criar desgostos. Claro que não é simples, nem é fácil ser-se feliz sem motivos para tal, aparentemente. Mas todos nós temos tantas razões para sermos felizes... somos é demasiado exigentes com a nossa felicidade. Não ficam felizes com os raios de Sol que recebemos num dia cinzento, de chuva? Não ficam felizes porque um bébé nos sorri e, por qualquer razão inexplicável, está sempre a olhar para nós, a sorrir? Não ficam felizes quando, inesperadamente, são atingidos com um aroma floral delicioso? Não ficam felizes com tantas outras pequenas coisas que a Natureza e tudo o que a compõe vos dá? Se conseguem ser felizes, momentaneamente, por coisas tão pequenas como estas, porque não são felizes por serem quem são? Decidam quem querer ser e sejam-no. Sejam felizes, e façam tudo de uma forma feliz... no fim de tudo, irão ficar ainda mais felizes porque ficaram com os ovos! ;)

quinta-feira, agosto 11, 2005

Mudando de assunto... A VISÃO!

Bom dia! Acho que já escrevi demasiado sobre o olfacto. Vou mudar de "sentido"... ontem lembrei-me de duas histórias relacionadas com a visão. Vou contá-las... A primeira história é pessoal. Quando era miúdo imaginava o que seria ir a outros planetas. Sim, é verdade, fui daquelas crianças que sonhou ser astronauta, em visitar outros planetas, ver mundos completamente diferentes. Estranhamente nunca sonhei em conhecer extra-terrestres... Bem, de tudo quanto pensei e sonhei descobrir em mundos novos, uma das coisas que mais me fascinava era descobrir novas cores. Pois, criancices... Ficava a imaginar que cores poderiam existir... Não sabia eu que as cores que vemos não são mais do que resultantes dos nossos olhos e não do mundo exterior ao nosso corpo. Explicando melhor, vemos aquilo que os nossos olhos nos deixam ver. Todo o espectro de cores tem o nome de "espectro vísivel". Por isso mesmo, porque as vemos. O que os nossos olhos captam são radiações electromagnéticas, e captamos apenas uma pequena fracção de imensas radiações que existem em nosso redor. Tivessem os nossos olhos capacidade para captar, receber, detectar radiações electromagnéticas de outro tipo, veríamos muito mais coisas do que vemos. Por exemplo, o calor que sentimos ao Sol é resultante da acção da radiação infravermelha que o Sol irradia na nossa pele. Aqui o sentido em questão será outro: o tacto! Enfim, sonhos de criança. A segunda história é sobre a visão: a visão dos nossos olhos e a "visão" do cérebro, do raciocínio. Passo então a explicar. Faz pouco mais de um ano que uma marca de vinho verde branco, muito conhecida e muito vendida por todo o mundo, mudou de garrafa. A garrafa anterior era daquelas compridas, que parecia ter sido esticada, de cor verde escura e um rótulo quem sabe um pouco antiquado. A garrafa actual é mais pequena, com vidro de cor azul bem claro, como as águas dos mares tropicais, e com um rótulo semi transparente, com imagens bem apelativas e frescas. Como devem saber, o vinho verde branco deve ser bebido bem fresco, para que se aproveite todas as suas propriedades: frescura, leveza, acidez. O tipo de garrafa antiga tinha muito pouco a ver com o produto que continha: era apagada, retrógrada, quiçá até feia, muito pouco chamativa ao consumidor. Quem conhecia o vinho, comprava-o, mas não atraía um novo comprador. A mudança visual alterou completamente a imagem do vinho. Dá uma ideia mais jovem, leve, como é o vinho verde branco. O produto passou a ser atraente ao consumidor, não alterando em nada o vinho. Por esse mundo fora, os consumidores habituais daquele vinho aplaudiram a mudança. Os agentes comerciais ficaram bastante felizes porque a nova imagem do produto ajuda bastante à comercialização e é chamativo a novos consumidores. A satisfação foi quase geral... só mesmo no nosso país é que não se aplaudiu a mudança. O visual do produto é marcante para que ele tenha sucesso e este é um caso bem demonstrativo disso. Contudo, esta não foi a única mudança em termos de "visão". Se visualmente, aos nossos olhos, a alteração é radical, há outra alteração muito mais significativa no produto. E para concretizar essa alteração, foi preciso ter visão! Falei que a garrafa mudou também de forma: passou a ser mais baixa. Aqui reside talvez a maior mudança e aquela que produzirá mais efeitos! Estranho não? Pois, mas pensem bem... Uma garrafa daquele tamanho, muito alta, não cabe nas estantes dos hipermercados ou das superfícies comerciais em que o produto se vende. Para a garrafa ser exposta nas estantes, ou a garrafa fica deitada (perdendo visibilidade!), ou então fica na estante mais baixa ou na mais elevada (onde além da perda de visibilidade ainda temos a dificuldade de acesso para o cliente!). A alteração do tamanho da garrafa provocou uma alteração marcante no comércio de loja do produto. Bem haja quem se lembrou de tal coisa. Foi preciso ter visão.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Continuando em matéria de olfacto...

Olá a todos. Estou de volta ao tema "Olfacto". Queria terminar com a temática, deixando, tanto quanto o possível, esclarecidos os pontos que eu queria referir. Voltando ao post anterior, imaginem que querem produzir um iogurte de morango. E que querem melhorar constantemente o produto que produzem, tentando reproduzir o mais fielmente possível o aroma a morangos. A forma mais directa e óbvia que podem sugerir é "usem morangos!". O problema é que, para produzir o dito alimento é necessário realizar uma série de tarefas que vão alterar as qualidades organolépticas dos morangos que querem usar. Resultado: o iogurte não vai ser uma reprodução fiel de morangos (aroma e paladar). Então, o que é que podem fazer? Usar essências naturais, disponíveis no mercado, com aroma a morango. (Vou escrever sempre sobre aromas e deixar o paladar de lado... afinal de contas, escrevo sobre o olfacto!). Muito bem, obtemos um produto com aroma razoavelmente semelhante a morango. Se bem que não é morango mesmo... é parecido. Mas o produto não nos satisfaz. Não é suficientemente bom para se impor no mercado, perante a concorrência que já tem a sua clientela bem definida. Então temos de produzir algo com uma característica especial, com uma qualidade que permita ter uma mais-valia sobre a concorrência. De todas as características que foram pensadas, uma ainda não se encontra satisfeita por ninguém da concorrência e pode ser então a mais-valia: aroma verdadeiro a morangos. Como chegar lá? Encontrar as substâncias químicas responsáveis pela globalidade do aroma do morango e adicionar ao nosso iogurte... Mas isto não é simples. Se fosse simples, já tinha sido concretizado. Os aromas de um objecto, seja qual for a sua utilidade, podem ser descritos de 2 formas: pela descrição global, feita por um painel de provadores, se assim se pode dizer, ou pela descrição sequencial, feita com ajuda de instrumentação analítica. Um painel de provadores não ajudará muito neste caso. Não é possível eles descobrirem as substâncias químicas responsáveis pelo aroma global do morango. Nem eles conseguem determinar todos os aromas do fruto. Então temos de nos virar para a instrumentação. Existem aparelhos que servem para separar, denominados cromatógrafos. Eles separam todos os compostos que são introduzidos nele. Se colocarmos algo que detecte os compostos à saída do cromatógrafo, podemos encontrar quantos compostos existiam na amostra analisada e talvez até consigamos determinar a sua concentração. Alguns desses detectores podem ajudar imenso na descoberta de quais os compostos presentes. Se utilizarmos um nariz como detector, então podemos associar os compostos a aromas. Cruzando toda essa informação, podemos encontrar os compostos responsáveis pelos aromas que desejamos. Tudo isto envolve muito tempo, muito treino e é um pouco complicado de se fazer... mas não é esse o maior problema. O problema até agora não resolvido é que o dito aparelho, o cromatógrafo, não pode receber todo o tipo de amostras. Elas têm de ser "tratadas", modificadas para serem introduzidas nele. Ora, essa manipulação torna o aroma ligeiramente diferente e por isso já estamos limitados à partida. Por isso podemos nunca reproduzir o aroma de um morango porque nunca saberemos a totalidade dos compostos químicos que ele contém. É a vida! "Every fool knows you can't touch the stars, but it doesn't stop a wise man from trying" - Harry Anderson

De volta ao trabalho...

Olá! Estou de volta a este mundo fantástico, onde se escreve para ser lido... em qualquer sítio do mundo e para qualquer sítio do mundo. Eu tinha escrito um pouco sobre o olfacto. Talvez continue nessa onda. Vou começar de uma forma um pouco básica, para depois complicar um pouco... espero que acompanhem. Vamos a alguns factos... Facto 1 - O nariz sente os aromas Facto 2 - O cérebro identifica o aroma Facto 3 - O cérebro cria ou relembra uma "imagem mental" do agente responsável pelo aroma sentido. Simples, não? Pois, mas para todas estas afirmações serem totalmente verdade, temos de assumir algumas coisas. Primeiro, que o nariz realmente cheira. É uma parte do foro médico e nem vou entrar por aí. Assumo que o nariz realmente cheira. Mas conseguirá cheirar todos os aromas? Claro que não. Nenhum nariz tem a capacidade de sentir todos os aromas. Uns cheiram melhor certos tipos de aromas, outros nem tanto. Duas descrições diferentes sobre um mesmo cheiro não deve ser uma situação estranha a ninguém. Claro que as diferentes capacidades dos narizes podem ser uma razão para essa discrepância de opiniões. Outra razão pode ser o cérebro. O cérebro identifica o aroma e traduz em algo que pode ser o responsável pelo aroma sentido. E aqui tudo se complica! O cérebro pode errar ao identificar o agente que produz o aroma. É simples isso acontecer. Experimentem fechar os olhos e imaginar os aromas de laranja, tangerina e limão. Simples, não é? Agora imaginem que tentam identificar os mesmos aromas em sumos de fruta. Complicou, não? E se for em iogurtes? Hum, começa a ser muito complicado. Como os aromas não são "puros" ou "naturais", podemos ter dificuldades em identificar o aroma. Se o aroma for artificial então pode ser mesmo complicado identificar. Acontece-me imensas vezes. É difícil identificar se temos um nectar de fruta de maçã ou de pêra se só o pudermos cheirar durante 1 segundo e não conseguirmos sequer ver o seu aspecto. Neste caso, a dificuldade olfactiva está relacionada com o cérebro; ele não identifica o aroma ou não identifica o agente que produz o aroma. E ainda temos os casos em que enganamos o cérebro... Bem, depois deste texto todo, perguntam para que serve tudo isto? Primeiro, é fixe "brincar" com as capacidades do nosso corpo. Depois, porque é por causa deste tipo de investigação que se consegue produzir todo o tipo de produtos em que o aroma é importante. Como se faz um perfume? Como se consegue fazer um iogurte de aromas? Como se melhora a qualidade de uma cerveja? Tantas outras coisas que seria impossível enumerar... Antes de ir, uma pequena curiosidade: Sabem porque é que não existem nenhum produto com aroma a morango que cheire verdadeiramente a morango fresco? Porque o aroma do morango é composto por dezenas de substâncias química, a maioria ainda nem sequer foi descoberta, e é extremamente complexo, sendo quase impossível reproduzi-lo artificialmente. O mesmo não acontece com a amêndoa, cujo o aroma é maioritáriamente devido a uma única substância química, o benzaldeído... Boa semana para todos!

sexta-feira, agosto 05, 2005

O olfacto...

Não sabia qual seria o 1º sentido de que escreveria... mas a viagem de ontem a Santa Maria da Feira (uma curta visita à Feira Medieval) tornou a minha decisão óbvia. Os incêndios que povoam o país de Norte a Sul, além de destruírem todas as riquezas naturais que possuímos e que temos o dever de preservar, de destruírem o que custou tanto a construir, enchem o ar de um fumo estranho... o ar torna-se irrespirável, o céu fica encoberto, tornando o Sol vermelho, como um Pôr-do-Sol interminável. Relativamente ao Olfacto, é um dos sentidos que menos valor damos. Só nos lembramos dele quando sentimos um odor muito mau ou muito bom... Mas será que tratamos bem do nosso olfacto? Pois, é complicado, principalmente nas zonas mais poluídas. Lavamos todo o corpo e esquecemos o interior do nariz. E vamos perdendo o olfacto. O olfacto é um sentido que é essencial para algumas profissões... imaginem como seria possível fazer um perfume sem olfacto? Mas há outros trabalhos que requerem o olfacto. Por vezes tenho de realizar tarefas que envolvem o uso do meu olfacto. Não tenho olfacto especial, não pensem nisso. Tudo requer treino e não há duas pessoas que consigam ter olfactos exactamente iguais... Com treino aprendemos a identificar aromas. Imaginem se conseguem distinguir o aroma a laranja e tangerina... Separadamente, com os frutos na mão, é fácil de distinguir os dois... mas e se for um rebuçado? Se for uma compota? Um iogurte? Se nem sequer souberem que alimento é? Não conseguirem ver sequer o seu aspecto? Não é fácil, garanto-vos. Mas o treino vai suprimindo todas as dificuldades. Treino e paciência... É preciso memorizar os aromas, aquilo que os distingue. E comentar os aromas com outras pessoas que os cheiram também. Muito provavelmente vão obter respostas completamente diferentes da descrição que vocês fariam do aroma... mas é mesmo assim. Por vezes chega a ser cómico comparar as respostas! É impressionante as descrições tão diferentes... Bem, um dia destes aprofundo mais o assunto. Não se esqueçam de uma coisa: é o cérebro que identifica o aroma. E é muito susceptível de ser enganado ;)

quinta-feira, agosto 04, 2005

O início...

Olá a todos! Com este post, começo o meu blog... coisa nova. Bem, creio que, devo começar escrevendo por duas coisas essenciais: quem sou e porquê o nome do blog. Quem sou é complicado! Com tempo, quiçá muito, quiçá todo o tempo do mundo, vão ficando a conhecer-me. O nome, isso é simples. 5 são os sentidos que temos: visão, audição, olfacto, paladar e tacto. Os afortunados que possuem todos eles passam os dias a usá-los, a maior parte das vezes de uma forma inconsciente. Aí aparece o "algo mais"... O cérebro! É ele que recebe toda a informação vinda dos 5 sentidos e a processa. Este blog pretende ser um local em que exponho experiências com os 5 sentidos e faço reflexões pessoais sobre o que me vai surgindo no dia-a-dia. Espero que seja um blog como tantos outros "e algo mais".